POMBOS

 As Raças Portuguesas

Por: João Costa Pereira

 

Tem sido uma luta de muitos anos o desenvolvimento e divulgação dos Pombos de Raças Portuguesas. Criadores e divulgadores sob as mais variadas formas ,da escrita em livros, artigos em revistas  às palestras, tudo tem servido a esse punhado de Columbicultores que ficarão na história desta actividade .Cheguei ao mundo dos Pombos de Raça pela mão do meu Amigo Simão da Veiga a quem não tenho a menor dúvida em reputar do maior divulgador em Portugal e no estrangeiro das nossas Raças de Pombos nos últimos 25 anos.

Recordo as muito longas e agradáveis horas passadas em redor do tema que o convívio da nossa Amizade proporcionou.

Estudioso profundo, da sua pena saíram vários escritos publicados no então boletim “Pombos de Exposição”, pequena aventura editorial que Ele e eu próprio levamos, a  expensas suas, a casa de cada um dos que se interessam pelo tema durante cinco anos.

Com esse boletim muito se clarificou junto dos criadores estrangeiros das nossas Raças, nomeadamente Franceses, Alemães e Espanhóis.

Foi pelo seu trabalho que se reviram os Padrões de Pombos de Raças Portuguesas da autoria do Mestre Dr. António Pitta que, editado nos anos 50 do século passado, constituiu o único trabalho de fundo sobre a matéria e que suportou a homologação dos mesmos Padrões pela então Comissão Técnica de Columbídeos da Associação dos Avicultores de Portugal que contava à altura com a Direcção presidida pelo Dr. Mário Teixeira, figura importante no panorama da Ornitologia e Avicultura/Columbicultura não só nacional com internacional e a quem não tive o prazer de conhecer.

Tal era o rigor que Simão da Veiga impunha ao seu trabalho e ao seu estudo que nada fez sem consultar outro grande Mestre das Raças de Pombos Portugueses, Carlos Nunes da Silva que, inclusivé, lhe cedeu apontamentos que o Dr. António Pitta tinha compilado para actualizar os Padrões de 1954.

Foi sem dúvida uma época dourada para os aficionados das Raças Portuguesas.

Coruche e as Exposições do COC tornaram-se a “meca” dos Pombos, como alguém um dia disse.

Aqui estiveram a julgar o Dr. António Pitta, seu filho Dr. Pedro Pitta, Carlos Nunes da Silva, Dr. Rebelo de Andrade, Raúl de Serra Guedes, José Luis de Matos  e um outro profundo conhecedor da matéria o Engº. Marini Bragança.

Aqui aprendemos todos os da nova geração de criadores. Aqui se deram a conhecer grandes entusiastas das Raças Portuguesas.

Ultrapassadas fronteiras, foram homologadas as raças Portuguesas junto da Associação Europeia de Columbicultura. A revista Columbiculture da SNC  de França publicou um artigo sobre a Columbicultura Portuguesa realçando a importância que o COC tem tido no ressurgimento em força o das Exposições Columbículas em Portugal. O livro de Standards Francês tem pela primeira vez a descrição das nossas raças. O grande columbicultor e Juiz Internacional também sócio de Honra do COC José Maria Olano editou um livro de Standards em língua Castelhana e aí constam as raças de Portugal. Charles Quirós, presidente do Clube Francês de Pombos de Raças Ibéricas e igualmente Sócio de Honra do COC, editou um livro sobre as raças Ibéricas Tudo isto, por influência directa de Simão da Veiga e a que dei o meu modesto mas entusiasta contributo.

Papel preponderante na divulgação das nossas raças na Europa teve, também, Américo Cavaleiro, columbicultor e emigrante na Bélgica que  fez um excelente e decisivo trabalho de apologia sobretudo da raça Cambalhota Português e Criador Lusitano. Muitos foram os pombos que através de si foram entregues aos cuidados de criadores Belgas que se tornaram cultores das raças portuguesas.

De alto e baixos, como tudo na vida ,se tem feito a história dos últimos vinte anos das raças portuguesas. Cremos estar num momento de viragem de alguma apatia rumo a mais momentos de glória.